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Metodologia para conversão de veículos convencionais em elétricos
Há potencial de aproveitamento no Brasil da frota de veículos convencionais desativada para conversão para elétricos
23/03/09 - Redação

A conversão de veículos de motor a combustão interna para tração elétrica é uma atividade que, além de contribuir para a conservação do meio ambiente, é bastante promissora no Brasil. Veículos elétricos são muito mais eficientes e limpos que os veículos convencionais, eles caracterizam-se pela alta eficiência energética e pelo baixo ou nulo nível de emissões de poluentes e ruídos.

As questões climáticas, atmosféricas e de poluição ambiental têm recentemente aumentado o interesse mundial sobre o uso final da energia. Veículos com tração elétrica oferecem oportunidade de redução das emissões nos âmbitos local, regional e global. O atual mix de fontes de energia que caracteriza a matriz energética brasileira favorece a opção por esta tecnologia. A conversão de veículos convencionais para elétricos é uma forma de reduzir emissões e utilizar energia de forma expressivamente mais eficiente. Todavia, há dificuldade para realização destas conversões empregando componentes do mercado nacional, uma vez que, no Brasil, a produção de dispositivos ou equipamentos sofisticados ainda é incipiente quando se compara à produção em outros países, uma vez que a legislação automotiva atual não contempla os benefícios da tecnologia veicular elétrica.

Outro aspecto é referente ao correto dimensionamento dos componentes para conversão com a inclusão de fatores como o peso e tamanho do veículo, o torque de partida, transmissão e potência, entre outros. Este é o foco da Dissertação de Mestrado em Engenharia Mecânica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, "Metodologia para conversão de veículos equipados com motores a combustão interna para tração elétrica: aplicação de motor síncrono de ímã permanente com fluxo magnético radial a um furgão", desenvolvida pelo Eng. Washington da Costa, sob orientação do Prof. Luiz Artur Pecorelli Peres. Nesta Dissertação, defendida no dia 10 do mês passado, é descrita a análise de desempenho de veículos elétricos, os componentes utilizados, as equações mecânicas e os critérios para escolha do veículo ideal para conversão com base nas ferramentas matemáticas e a prática corrente. Constitui uma contribuição para converter veículos para tração elétrica visto que sistematiza as etapas de projeto com as quais outros poderão seguir, utilizando componentes encontrados no mercado nacional. É apresentada a execução de um projeto prático de conversão de uma Kombi para tração elétrica, cujo objetivo tem caráter educativo. O trabalho de conversão realizado constitui um experimento no qual foi possível a identificação de dificuldades neste tipo de projeto, inclusive no que tange ao licenciamento de veículos convertidos.

Kombi 82
Dificuldade no Brasil

Como exemplo da dificuldade na obtenção de componentes, Washington cita a não disponibilidade no país de baterias avançadas como as de íon de lítio, hidreto de níquel metálico e Zebra. As baterias de fabricação nacional encontradas comercialmente são do tipo chumbo-ácida, as quais, por serem pesadas, fazem com que os projetos de conversão estejam sujeitos a restrições de espaço e consequentemente de autonomia.

No que tange aos motores elétricos e controles de velocidade, o autor constatou que há escassez de fabricantes dedicados ao segmento de motores de corrente contínua (CC), entretanto motores de corrente alternada (CA) de indução são fartamente encontrados no mercado nacional. Um ponto importante observado e que o autor destaca é que tanto os motores de CC quanto os motores de CA, em geral, disponíveis são componentes voltados para aplicações industriais e, portanto, há necessidade de adaptações para os projetos de conversão. Este fator dificulta a retirada da caixa de câmbio original do veículo a combustão interna, visto que, os torques dos motores industriais são inferiores às necessidades do veículo a tração elétrica.

No levantamento do histórico das conversões realizadas, Washington observou que no sentido de torná-las mais acessíveis foram empregados no exterior, motores de CC e baterias chumbo-ácidas tracionárias. Esta associação se mostra interessante devido à acomodação da tensão do motor que em geral é da ordem 36, 48 e 96 V em relação aos módulos das baterias cujos valores são 6 e 8 V.

Incentivo à tecnologia

O trabalho conclui pela necessidade de ampliar a demanda por nacionalização de tecnologia que tornaria projetos de conversão uma realidade comercialmente viável. O autor também aponta para a necessidade de políticas publicas para o incentivo da tecnologia veicular elétrica no Brasil, bem como de incentivos fiscais para os veículos elétricos, especialmente, com relação às seguintes operações:
  • produção de veículos e comercialização;
  • fabricação de dispositivos e componentes para veículos elétricos;
  • importação de equipamentos e máquinas para o desenvolvimento de veículos elétricos no Brasil;
  • uso de energia elétrica para recarga de veículos elétricos; e
  • nacionalização de tecnologia para equipamentos e máquinas com objetivo de desenvolvimento de veículos elétricos no Brasil.
Para Washington, há um potencial no Brasil de aproveitamento de frota desativada para conversão mediante uma avaliação econômica prévia e da aplicação de cada veículo que venha ser escolhida. Este aspecto constitui-se por si só uma perspectiva interessante para novos empreendimentos que propiciem o transporte limpo de pessoas e cargas.

Recomenda ainda a elaboração de estudos e pesquisas voltados especificamente para:
  • o desenvolvimento de motores a serem aplicados em veículos elétricos observando características específicas como, peso, volume, torque, velocidade inicial e velocidade final;
  • o desenvolvimento no Brasil de baterias avançadas;
  • a atualização da legislação brasileira visando o estabelecimento de políticas públicas que contemplem os veículos elétricos;
  • o estabelecimento de normas técnicas para veículos elétricos; e
  • a utilização da Kombi, ou veículo elétrico similar para transporte de alunos, professores e servidores fazendo o circuito UERJ (Maracanã), UERJ (São Cristóvão), CEFET-RJ (Maria da Graça), UERJ (Maracanã), fortalecendo a aproximação institucional e multidisciplinar entre as equipes destas instituições.
Kombi convertida
A Kombi convertida poderá ser utilizada como uma plataforma de testes de componentes e novos dispositivos desenvolvidos. Washington recomenda, por isso, a continuidade do trabalho através do Grupo de Estudos de Veículos Elétricos da Faculdade de Engenharia da UERJ e do Núcleo de Tecnologia Automobilística NTA do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca CEFET / RJ.

O projeto de conversão da Kombi para veículo elétrico a bateria é uma realização do CEFET-RJ / UERJ, com patrocínio da WEG e da Saturnia e apoio institucional da ABVE().

Leia também:

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UERJ e CEFET/RJ convertem Kombi para funcionar com motor elétrico e bateria
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Análise e Estudos da Conversão de uma Kombi para Tração Elétrica - Projeto Conjunto da UERJ e CEFET - RJ
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