A ABVE teve participação de destaque no segundo dia do Latam Mobility & Net Zero Brasil 2026, realizado na quinta-feira (16/04), contribuindo de forma ativa para os principais debates sobre a eletrificação do transporte público, segurança de baterias e o posicionamento do Brasil no cenário internacional da mobilidade elétrica.
Ao longo de diferentes painéis, representantes da entidade reforçaram o papel estratégico da ABVE na articulação entre indústria, poder público e mercado, além de defenderem políticas públicas mais robustas para acelerar a transição energética no país.
Transporte público: avanço exige coordenação e políticas estruturadas
No painel “Eletrificação do transporte público no Brasil: da estruturação de projetos à implementação em escala”, Iêda Ribeiro, diretora da ABVE, coordenadora do Grupo de Veículos Pesados e diretora comercial da Eletra Industrial, destacou que o Brasil já possui uma base industrial sólida e preparada para atender à crescente demanda por ônibus elétricos.
Segundo a executiva, o país conta atualmente com o maior portfólio de ônibus elétricos da América Latina, com modelos desenvolvidos localmente e uma cadeia produtiva estruturada, que inclui fabricantes de motores, baterias, inversores, chassis e carrocerias.
Apesar desse cenário positivo, Iêda chamou atenção para os desafios enfrentados pela indústria nacional, especialmente diante da concorrência com produtos importados que chegam ao mercado com forte apoio governamental dos seus países de origem.
Para ela, o avanço da eletromobilidade no transporte coletivo depende diretamente de políticas públicas mais consistentes e de longo prazo, que garantam previsibilidade regulatória, estimulem a produção local e promovam condições mais equilibradas de competição.
“A indústria brasileira tem competência, conhecimento e capacidade produtiva. O que precisamos é de um ambiente que valorize esse potencial e permita que o país lidere esse movimento”, destacou. Ela também ressaltou o potencial do Brasil para retomar o protagonismo na exportação de ônibus para a América Latina, desde que haja estímulos adequados ao setor.
O debate, que reuniu representantes de diferentes níveis de governo e operadores de transporte, reforçou que a eletrificação do transporte público já está em curso no país, mas sua consolidação em larga escala exige maior integração entre políticas públicas, modelos de financiamento estruturados e planejamento coordenado.
Baterias: segurança, padronização e economia circular no centro da discussão
A ABVE também esteve presente no painel “Segurança e economia circular: baterias, padronização e certificações”, moderado por Clemente Gauer, diretor e membro do Conselho da entidade. Durante o debate, foi reforçado que as baterias ocupam papel central na mobilidade elétrica, não apenas como componente tecnológico, mas como eixo que envolve segurança, certificação, padronização e sustentabilidade.
Os participantes destacaram avanços importantes na economia circular, com soluções que permitem o reaproveitamento e a reciclagem de materiais em altas taxas, além do desenvolvimento de aplicações de segunda vida para baterias.
Outro ponto relevante foi a evolução do arcabouço normativo no Brasil, que vem avançando na criação de padrões técnicos para garantir segurança, qualidade e confiabilidade em toda a cadeia, da produção ao descarte.
Também foi enfatizada a importância da certificação como instrumento de proteção ao consumidor e de fortalecimento do mercado, especialmente diante da expansão da eletromobilidade e da entrada de novos players. Ao mesmo tempo, os especialistas alertaram para a necessidade de ampliar o conhecimento técnico e combater percepções equivocadas sobre riscos, reforçando que, com protocolos adequados e respeito às normas, o uso de baterias é seguro.
Brasil como hub regional: oportunidades e desafios
A atuação da ABVE ainda se destacou no painel “LATAM Regional Hub: Mercado internacional de energia e mobilidade eletrificada”, que contou com a participação da diretora conselheira Márcia Loureiro. O painel abordou o potencial do Brasil para se consolidar como um hub latino-americano de energia e mobilidade eletrificada, conectando investimentos, inovação e mercados internacionais.
Entre os principais pontos levantados, destacam-se a necessidade de reduzir inseguranças regulatórias, ampliar a articulação entre setor público e privado e aproveitar oportunidades ainda pouco exploradas, como crédito de carbono e ativos ambientais. Também foi ressaltado o avanço da integração regional, com países vizinhos ganhando protagonismo na atração de investimentos, o que reforça a importância de uma estratégia coordenada para posicionar o Brasil de forma competitiva no cenário internacional.
ABVE como agente de articulação e desenvolvimento
Ao longo dos debates, ficou evidente o papel central da Associação Brasileira do Veículo Elétrico como agente de articulação e desenvolvimento do setor no Brasil. A entidade atua de forma integrada com governo, indústria e instituições técnicas para reduzir barreiras, promover a adoção de veículos eletrificados e contribuir para a construção de um ecossistema mais robusto e sustentável.
A participação no Latam Mobility 2026 reforça esse compromisso e evidencia que, embora a eletrificação já seja uma realidade em expansão no país, seu avanço em larga escala dependerá de alinhamento entre políticas públicas, investimentos e estratégias de longo prazo. Com uma base industrial consistente, conhecimento técnico e crescente integração regional, o Brasil reúne condições para assumir protagonismo



