- Recordista da maior viagem de carro elétrico da América do Sul compartilha orientações para quem vai pegar a estrada neste período do ano
- Verificar a autonomia da bateria e planejar a rota estão entre as principais orientações para evitar imprevistos
As férias de julho costumam aumentar o movimento nas rodovias brasileiras e, para muitos proprietários de veículos elétricos, pode representar a oportunidade de fazer a primeira viagem de carro elétrico. Para evitar imprevistos, a preparação faz toda a diferença. Pensando nisso, a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) reuniu cinco recomendações para quem pretende pegar estrada.
Quem compartilha as orientações é Maurício Barros, parceiro da ABVE e diretor da Associação Brasileira dos Proprietários de Veículos Elétricos Inovadores (Abravei). Detentor do recorde da maior viagem já realizada de carro elétrico na América do Sul, ele percorreu 18.233 quilômetros por seis países em um veículo 100% elétrico e agora prepara uma nova expedição de aproximadamente 24 mil quilômetros. O roteiro ligará o Chuí (RS) ao Oiapoque (AP), passando pelas 26 capitais brasileiras, pelo Distrito Federal e por trechos da Transamazônica.
Com base na experiência acumulada na estrada, Barros compartilha as principais recomendações para quem pretende viajar de carro elétrico durante as férias.
- Conheça a autonomia real do seu carro
Antes de pegar a estrada, vale fazer percursos menores para entender como o veículo se comporta em diferentes condições de uso. Fatores como velocidade, relevo, temperatura e uso do ar-condicionado influenciam o consumo de energia e a autonomia do carro.
“A primeira viagem precisa servir para conhecer o comportamento do carro na estrada. Antes de rodar 1.500 ou 2.000 quilômetros, faça viagens menores. Assim você entende o consumo do veículo e ganha confiança para percursos mais longos”, orienta.
- Planeje a rota antes de sair de casa
Depois de definir o trajeto da viagem, identifique os eletropostos disponíveis ao longo do caminho. Aplicativos como PlugShare e ABRP (A Better Routeplanner) ajudam a localizar os pontos de recarga e permitem planejar as paradas de acordo com a autonomia do veículo.
A recomendação é sair de casa sabendo exatamente onde pretende recarregar o carro. Para isso, vale baixar antecipadamente os aplicativos das empresas responsáveis pelos eletropostos previstos na rota, realizar o cadastro e configurar a forma de pagamento antes da viagem.
“Deixar isso para a última hora pode dar mais trabalho, principalmente se o sinal de internet ou de celular não ajudar. Por isso, o ideal é concluir todo esse processo antes de pegar a estrada. Assim, evita contratempos durante a viagem”, recomenda.
- Mantenha uma margem de segurança para a bateria
Evitar rodar com a bateria próxima do limite é uma das principais recomendações de Maurício para quem vai pegar a estrada. Se o carro percorre cerca de 300 quilômetros com uma carga, por exemplo, o ideal é programar a primeira parada entre 230 e 250 quilômetros. Sempre que houver duas opções próximas, a preferência deve ser pelo primeiro ponto de recarga disponível. Caso ele apresente algum problema, ainda haverá autonomia suficiente para seguir até o próximo.
“Um dos erros mais comuns de quem viaja pela primeira vez é deixar para pensar na recarga quando a bateria já está muito baixa. Eu aconselho nunca deixar a carga cair abaixo de 20%. Se surgir uma oportunidade de recarregar durante o percurso, vale a pena aproveitar e seguir viagem com mais tranquilidade”, afirma.
- Leve um carregador portátil para situações emergenciais
Nem sempre o planejamento sai como esperado. O eletroposto escolhido pode estar indisponível ou apresentar algum problema. Se isso acontecer e a bateria já não tiver autonomia suficiente para chegar ao próximo ponto de recarga, o carregador portátil pode ser um importante aliado. Embora recupere, em média, entre 3% e 5% da bateria por hora, essa carga costuma ser suficiente para que o motorista siga viagem com segurança até outro eletroposto.
Maurício recomenda utilizar o carregador portátil original que acompanha o veículo. Segundo ele, esse equipamento normalmente trabalha com corrente de 13 amperes e deve ser conectado a uma tomada de 20 amperes. Como a capacidade da tomada é superior à corrente exigida pelo carregador, o risco de superaquecimento da instalação elétrica é reduzido.
“O que nunca pode ser feito é usar adaptadores para ligar o carregador em tomadas de menor capacidade. Se a tomada é de 10 amperes e o carregador trabalha com 13 amperes, a instalação pode superaquecer”, alerta.
Também existem carregadores portáteis ajustáveis, que permitem selecionar diferentes níveis de corrente. Nesses casos, é fundamental configurar o equipamento de acordo com a capacidade da tomada utilizada. Em uma tomada de 10 amperes, por exemplo, o carregador deve ser ajustado para 8 amperes, mantendo a corrente abaixo do limite suportado pela instalação elétrica.
- Evite horários de maior movimento
Sempre que possível, programe a viagem para períodos de menor fluxo nas rodovias. Além de tornar o deslocamento mais confortável e seguro, essa escolha também reduz a possibilidade de encontrar filas nos eletropostos, especialmente em épocas de maior movimentação, como as férias escolares.
Infraestrutura de recarga avança no Brasil
A infraestrutura de recarga no Brasil está em um momento de expansão. O levantamento mais recente realizado pela ABVE e Tupi Mobilidade, divulgado no site da ABVE em junho e consolidado com dados até maio de 2026 (, mostra que o Brasil ultrapassou a marca de 25,4 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga. O principal avanço ocorreu justamente nos carregadores rápidos (DC), especialmente importantes para viagens, que cresceram 32,8% em apenas três meses, passando de 6.479 para 8.601 equipamentos.
Com a expansão da infraestrutura e o crescimento dos carregadores rápidos, o Brasil amplia a rede disponível para motoristas que utilizam veículos elétricos em deslocamentos de curta, média e longa distância.



