O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), aprovou, nesta sexta-feira (6/11), a criação do Grupo de Trabalho de Eletromobilidade. O colegiado fornecerá subsídios técnicos e diretrizes para a formulação da Estratégia Nacional de Eletromobilidade, diante da rápida expansão da frota de veículos eletrificados no país.
Sob coordenação do Ministério de Minas e Energia (MME), o grupo buscará propostas para o desenvolvimento sustentável do setor, incluindo aspectos relacionados à infraestrutura elétrica, além de questões ambientais, industriais, tecnológicas e de mobilidade urbana.
A criação do grupo responde a uma mudança de patamar nas vendas. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), em seu painel de dados ABVE Data, o Brasil emplacou 381.609 veículos leves com propulsão elétrica ou híbrida entre janeiro e setembro de 2026. O volume já é quase 70% superior ao registrado em todo o ano de 2025.
Desse total, 303.457 unidades, cerca de 80% do mercado eletrificado, são de veículos que dependem de recarga na rede externa: os 100% elétricos a bateria (BEV) e os híbridos plug-in (PHEV). Só em setembro, os eletrificados responderam por 19,8% das vendas de veículos leves, índice acima das projeções oficiais.
O ritmo converge com os cenários do Plano Nacional de Energia (PNE) 2055, que prevê forte aumento da eletricidade no consumo dos transportes e grande demanda por minerais estratégicos para a fabricação de baterias. O avanço da frota exigirá investimentos na modernização das redes de distribuição, na expansão dos eletropostos e no gerenciamento inteligente do consumo de energia.
Para o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a política complementa a vocação histórica do Brasil em biocombustíveis e coloca o País ainda mais na vanguarda da transição energética global.
“Não se trata apenas de colocar mais veículos elétricos nas ruas, mas de planejar a infraestrutura de recarga, fortalecer a cadeia de minerais críticos e antecipar o impacto na demanda de energia. Com o GT de Eletromobilidade, reunimos os principais órgãos do governo e do setor energético para construir uma política de Estado consistente, que dialogue com a indústria nacional, preserve o meio ambiente e melhore a mobilidade nas cidades”, afirmou.
Entre os objetivos do GT estão:
propor diretrizes para a expansão da infraestrutura de recarga e sua integração às redes elétricas e aos recursos energéticos distribuídos (RED);
avaliar a sustentabilidade da cadeia de minerais críticos usados nas baterias;
fortalecer a indústria nacional, com análises de custo-benefício;
incorporar ao planejamento energético nacional a nova demanda de energia decorrente da eletrificação dos transportes.
O GT tem prazo previsto de 120 dias, prorrogáveis por igual período. Os produtos previstos para entrega pelo GT incluem o diagnóstico estratégico da eletromobilidade no Brasil, a proposta de diretrizes para a Estratégia Nacional e as recomendações de ajustes regulatórios e de governança.
O Grupo contará com 5 frentes técnicas organizadas em subgrupos:
- Infraestrutura, Redes Inteligentes e Planejamento Elétrico
- Indústria, Minerais Críticos e Cadeia de Baterias
- Avaliação do Ciclo de Vida e Descarbonização
- Veículos Pesados e Mobilidade Urbana
- Políticas Públicas de Mobilidade Sustentável vigentes
A atuação do GT será concluída com a apresentação de um relatório final ao CNPE.
Além do MME, integram o grupo a Casa Civil da Presidência da República; os ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, dos Transportes, das Cidades, da Ciência, Tecnologia e Inovação, do Meio Ambiente e Mudança do Clima; as agências nacionais de Energia Elétrica (Aneel), do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e de Mineração (ANM); a Empresa de Pesquisa Energética (EPE); o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS); o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e o Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Minas e Energia .



